"O negócio é uma das formas mais poderosas de criação de riqueza e oportunidade para ajudar a tirar as pessoas da pobreza", diz Peter Blair Henry – o jovem emigrante Jamaicano que ascendeu recentemente ao cargo de Reitor da Stern School of Business (New York University).
Empreendedor é o termo utilizado para qualificar, ou especificar aquele indivíduo que possui uma forma especial, inovadora, de se dedicar às actividades de organização, administração e execução; principalmente na transformação de conhecimentos e bens em novos produtos (mercadorias ou serviços) geradores de riqueza. No cenário económico cabo-verdiano é geralmente conhecido por - empreendedor – kel ki ta investi e fazê progredir sê negócio ku suor de sê testa!
Se uma pessoa tiver capacidade empreendedora, tem também probabilidade de suceder no mundo dos negócios, particularmente, nos pequenos negócios — um dos garantes de sobrevivência em muitas sociedades. Mas, a verdade é que, os negócios exigem um pouco mais do que simples talento empreendedor. Por exemplo, precisamos de conhecimentos específicos que o talento empreendedor não possui por si só. Para se ser empreendedor, é preciso balancear três aspectos importantes: mental, profissional e económico. O primeiro, autoconfiança e a adopção de atitudes e valores culturais favoráveis à iniciativa de empreender (sentido de responsabilidade, de risco, de iniciativa). O segundo, a capacidade de identificar oportunidades, de realizar cálculos estratégicos e de planificar intervenções tendo em conta os riscos e as vantagens, acrescido da capacidade de liderança e de mobilização de equipas. E o terceiro, o ambiente macroeconómico que facilita o acesso aos recursos para a realização do acto de empreender, em complementaridade ao rol dos factores básicos necessários para se levar avante a propensão de empreender.
É certo que a vontade para ultrapassar os obstáculos da vida tem levado os cabo-verdianos, em especial os foguenses, na ilha e não só, a enveredar pela prática do empreendedorismo, por via de actividades e projectos práticos – esses têm sido, as formas de promover o espírito empreendedor e as competências ligadas ao empreendedorismo, por um lado, e tem contribuido de forma directa ou indirecta para a sobrevivência de uma boa faixa da população da ilha, por outro.
Para promover o crescimento económico e o desenvolvimento social, as nossas autarquias devem ter a capacidade de orientar a população, particularmente aqueles com a sensibilidade pelo mundo dos negócios – promovendo o empreendedorismo – abrindo janelas para o escoamento dos produtos da ilha. Se ao agricultor/pastor exigimos o eficiente cultivo da terra/criação do gado, produzindo "abóbora grande" e "bodéco gordo", às autarquias solicitamos a criação de condições que permitam a instalação e desenvolvimento de actividades económicas nos municípios, passando desde logo, pelo apoio às iniciativas de criação de pequenos negócios. Neste sentido, devem as autarquias em parceria com as agências/associações nacionais (mas não só) vocacionadas por essa matéria, urgir com a criação de Gabinetes de Apoio ao Empresariado na ilha, pois será certamente um sinal positivo para aqueles que pensam enveredar pelo empreendedorismo, olhando para os municípios como local atractivo para transacionar os produtos - gerando riqueza e contribuindo para o combate à pobreza.
Em específico, pretende-se que as autarquias incluam nos respectivos planos de desenvolvimento (programas de actividades) a promoção de uma cultura empreendedora, traduzida pelo desenvolvimento de projectos de iniciativa privada, devidamente enquadrados no contexto de desenvolvimento local e com potencialidades de se traduzirem em resultados tangíveis em favor da sociedade.
Empreendedorismo nos municípios pressupõe uma acção coordenada e incentivadora, devendo ter como objectivo o contínuo desenvolvimento de competências-chave e do espírito empreendedor junto das comunidades residentes, baseado nas acções seguintes:
1. Disponibilização de apoio, formação, sensibilização e acompanhamento às comunidades para o desenvolvimento de projectos que tem como meta a melhoria das suas condições de vida;
2. Utilização de metodologias e estratégias de desenvolvimento de competências do empreendedorismo e de promoção de uma cultura empreendedora ao nível local.
3. Estabelecimento de parcerias entre os sectores público e privado, potenciadores do crescimento económico e subsequente desenvolvimento social, bem como para o fortalecimento dos laços que unem as famílias, o empresariado e toda a comunidade.
4. No final de cada mandato, deve a autarquia provar ao eleitorado, ter capacitado os cidadãos com competências-chave para empreender ao longo da vida, tornando-os em dinamizadores de acção empresarial benéfica para o meio em que vivem, libertando assim o poder local do fardo assistencialista – paternalista vigente na ilha do Fogo.
O desenvolvimento local, hoje mais do que nunca, exige de todos nós maior dinamismo, inovação e criatividade – na descoberta do melhor caminho para avançar!
Monday, February 22, 2010
Friday, February 5, 2010
Djarfogo: O Binómio Educação/Pobreza
"Se os teus projectos forem para um ano, semeia o grão. Se forem para dez anos, planta uma árvore. Se forem para cem anos, instrui o povo." (Provérbio chinês)
A pobreza, a alteração climática e a crise financeira, foram temas de debates durante a 40ª edição do Fórum Económico Mundial, que teve início no dia 26/1, em Davos/Suiça.
Os temas, todos eles interessantes — entretanto, aqui, de forma sucinta, vou-me reflectir apenas sobre um deles – a pobreza, pois considero que o combate a esse mal que assola cerca de 30% da população caboverdiana e cerca de metade dos foguenses deve continuar a ser o ponto 1 da agenda dos nossos governantes, tanto a nível local e nacional.
Neste textozito, não vou apontar quais os ganhos que o País obteve nestes quase 35 anos enquanto república. Vou sim, enveredar pelo binómio educação/pobreza, mas de forma superficial. Para me situar, faço uso das palavras do Bill Clinton (ex-Pesidente dos EUA) ao Fórum de Davos — “...a educação e a formação é o caminho prioritário e essencial para sair da pobreza...”, do Shimon Peres (Presidente do Israel) — “... não são os bolsos que enriquecem o nosso cérebro, é o cérebro que enriquece os nossos bolsos...” e bem assim do Timothy Berner-Lee (Drector da World Wide Web Consortium) — “...nos Países em Desenvolvimento, o acesso à internet ainda é um privilégio, sendo usada por apenas 20 % da população mundial... ” – eu acrescentaria que destes 20%, uma significativa fatia são os governantes, que não poucas vezes passam parte do seu tempo à frente do computador a jogar “solitário”!
Pois bem, em Janeiro último vi escrito algures na Página Oficial do Governo de Cabo Verde que, teve lugar na minha/nossa ilha do Fogo — a inauguração, nos Concelhos de São Filipe, Mosteiros e Santa Catarina, do Sistema de Informação Municipal (SIM) e das praças digitais de São Filipe e Mosteiros, presumo que a de Santa Catarina (também anunciada), ficou por inaugurar — quicá numa outra data, possívelmente.
Sem rodeios, digo vos — à semelhança de muitos filhos, nas ilhas e/ou na diáspora, fiquei maravilhado com a notícia, aliás aqueles que me conhecem mínimamente conseguem imaginar qual é o meu estado de espírito ao escutar notícias dessa natureza para Cabo Verde em geral, mas em especial quando se refere à ilha do vulcão. Entretanto, fiquei a pensar — até que ponto a chegada do SIM e das praças digitais vão colocar a ilha do Fogo em pé de igualdade com as demais (?), por um lado, e apoiar no combate à pobreza (??), por outro. Com optimismo e apoiando as boas práticas em todas as ilhas/concelhos — a verdade é que, as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), por si só, não chegam para a promoção do desenvolvimento da ilha do Fogo — sendo que, o atraso de Djarfogo é de natureza complexa — passando pelo elevado déficit de infraestruturas físicas, fraca cultura de inovação, atitudes de gestão mal adaptadas à realidade económica local, frouxo posicionamento dos políticos locais, lacunas em matéria de qualificação e de formação, entre outros factores.
Reconheço que, o recurso às TICs poderá permitir encurtar o tempo, facilitar o diálogo com as demais Partes, promover a eficiência e eficácia dos utentes camarários e não só, mas sem um forte investimento na educação, a população continuará de bolsos vazios, pelo que, ainda que venhamos a ter praças digitais em todos os povoados, a maioria dos filhos da ilha não colherá os seus frutos!
A ilha do Fogo precisa de portos, de aeroportos e de estradas modernas, da promoção do empreendedorismo, do reforço à componente turística, da valorização do património local, da promoção de actividades rurais, mas mais ainda, precisa de investir na formação dos seus filhos – pois, este sim, é um investimento de longo prazo. Porém, a disponibilização de infra-estruturas, embora importantes, não basta – existe necessidade de traduzi-las em aplicações e serviços – estes sim geradores de riqueza – contribuindo para a redução da pobreza e da exclusão social.
A todos os foguenses um Feliz Ano do Tigre!
A pobreza, a alteração climática e a crise financeira, foram temas de debates durante a 40ª edição do Fórum Económico Mundial, que teve início no dia 26/1, em Davos/Suiça.
Os temas, todos eles interessantes — entretanto, aqui, de forma sucinta, vou-me reflectir apenas sobre um deles – a pobreza, pois considero que o combate a esse mal que assola cerca de 30% da população caboverdiana e cerca de metade dos foguenses deve continuar a ser o ponto 1 da agenda dos nossos governantes, tanto a nível local e nacional.
Neste textozito, não vou apontar quais os ganhos que o País obteve nestes quase 35 anos enquanto república. Vou sim, enveredar pelo binómio educação/pobreza, mas de forma superficial. Para me situar, faço uso das palavras do Bill Clinton (ex-Pesidente dos EUA) ao Fórum de Davos — “...a educação e a formação é o caminho prioritário e essencial para sair da pobreza...”, do Shimon Peres (Presidente do Israel) — “... não são os bolsos que enriquecem o nosso cérebro, é o cérebro que enriquece os nossos bolsos...” e bem assim do Timothy Berner-Lee (Drector da World Wide Web Consortium) — “...nos Países em Desenvolvimento, o acesso à internet ainda é um privilégio, sendo usada por apenas 20 % da população mundial... ” – eu acrescentaria que destes 20%, uma significativa fatia são os governantes, que não poucas vezes passam parte do seu tempo à frente do computador a jogar “solitário”!
Pois bem, em Janeiro último vi escrito algures na Página Oficial do Governo de Cabo Verde que, teve lugar na minha/nossa ilha do Fogo — a inauguração, nos Concelhos de São Filipe, Mosteiros e Santa Catarina, do Sistema de Informação Municipal (SIM) e das praças digitais de São Filipe e Mosteiros, presumo que a de Santa Catarina (também anunciada), ficou por inaugurar — quicá numa outra data, possívelmente.
Sem rodeios, digo vos — à semelhança de muitos filhos, nas ilhas e/ou na diáspora, fiquei maravilhado com a notícia, aliás aqueles que me conhecem mínimamente conseguem imaginar qual é o meu estado de espírito ao escutar notícias dessa natureza para Cabo Verde em geral, mas em especial quando se refere à ilha do vulcão. Entretanto, fiquei a pensar — até que ponto a chegada do SIM e das praças digitais vão colocar a ilha do Fogo em pé de igualdade com as demais (?), por um lado, e apoiar no combate à pobreza (??), por outro. Com optimismo e apoiando as boas práticas em todas as ilhas/concelhos — a verdade é que, as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), por si só, não chegam para a promoção do desenvolvimento da ilha do Fogo — sendo que, o atraso de Djarfogo é de natureza complexa — passando pelo elevado déficit de infraestruturas físicas, fraca cultura de inovação, atitudes de gestão mal adaptadas à realidade económica local, frouxo posicionamento dos políticos locais, lacunas em matéria de qualificação e de formação, entre outros factores.
Reconheço que, o recurso às TICs poderá permitir encurtar o tempo, facilitar o diálogo com as demais Partes, promover a eficiência e eficácia dos utentes camarários e não só, mas sem um forte investimento na educação, a população continuará de bolsos vazios, pelo que, ainda que venhamos a ter praças digitais em todos os povoados, a maioria dos filhos da ilha não colherá os seus frutos!
A ilha do Fogo precisa de portos, de aeroportos e de estradas modernas, da promoção do empreendedorismo, do reforço à componente turística, da valorização do património local, da promoção de actividades rurais, mas mais ainda, precisa de investir na formação dos seus filhos – pois, este sim, é um investimento de longo prazo. Porém, a disponibilização de infra-estruturas, embora importantes, não basta – existe necessidade de traduzi-las em aplicações e serviços – estes sim geradores de riqueza – contribuindo para a redução da pobreza e da exclusão social.
A todos os foguenses um Feliz Ano do Tigre!
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About Me
Introducing Cape Verde
Most people only know Cape Verde through the haunting mornas (mournful songs) of Cesária Évora. To visit her homeland – a series of unlikely volcanic islands some 500km off the coast of Senegal – is to understand the strange, bittersweet amalgam of West African rhythms and mournful Portuguese melodies that shape her music.
It’s not just open ocean that separates Cape Verde from the rest of West Africa. Cool currents, for example, keep temperatures moderate, and a stable political and economic system help support West Africa’s highest standard of living. The population, who represent varying degrees of African and Portuguese heritage, will seem exuberantly warm if you fly in straight from, say, Britain, but refreshingly low-key if you arrive from Lagos or Dakar.
Hot Top Picks For Cape Verde
1 Mt Fogo
Huff to the top of this stunning, cinder-clad mountain, the country’s only active volcano and, at 2829m, its highest peak.
2 Mardi Gras
Down quantities of grogue, the rumlike national drink, and dive into the colour and chaos in Mindelo.
3 Santo Antão
Hike over the pine-clad ridge of the island, then down into its spectacular canyons and verdant valleys.
4 Windsurfing
Head to the beaches of Boa Vista, and fill your sail with the same transatlantic winds that pushed Columbus to the New World.
5 Traditional music
Watch musicians wave loved ones goodbye with a morna or welcome them back with a coladeira.
6 Cidade Velha
Becomes Cape Verde's first World Heritage site in June 2009.
The town of Ribeira Grande de Santiago, renamed Cidade Velha (Old Town) in the late 18th century, was the first European colonial outpost in the tropics.
Located in the south of the island of Santiago, the town features some of the original street layout impressive remains including two churches, a royal fortress and Pillory square with its ornate 16th century marble pillar.
It’s not just open ocean that separates Cape Verde from the rest of West Africa. Cool currents, for example, keep temperatures moderate, and a stable political and economic system help support West Africa’s highest standard of living. The population, who represent varying degrees of African and Portuguese heritage, will seem exuberantly warm if you fly in straight from, say, Britain, but refreshingly low-key if you arrive from Lagos or Dakar.
Hot Top Picks For Cape Verde
1 Mt Fogo
Huff to the top of this stunning, cinder-clad mountain, the country’s only active volcano and, at 2829m, its highest peak.
2 Mardi Gras
Down quantities of grogue, the rumlike national drink, and dive into the colour and chaos in Mindelo.
3 Santo Antão
Hike over the pine-clad ridge of the island, then down into its spectacular canyons and verdant valleys.
4 Windsurfing
Head to the beaches of Boa Vista, and fill your sail with the same transatlantic winds that pushed Columbus to the New World.
5 Traditional music
Watch musicians wave loved ones goodbye with a morna or welcome them back with a coladeira.
6 Cidade Velha
Becomes Cape Verde's first World Heritage site in June 2009.
The town of Ribeira Grande de Santiago, renamed Cidade Velha (Old Town) in the late 18th century, was the first European colonial outpost in the tropics.
Located in the south of the island of Santiago, the town features some of the original street layout impressive remains including two churches, a royal fortress and Pillory square with its ornate 16th century marble pillar.