Esta manhã, não sei se por motivo de saudades, amor à terra e/ou sei lá o quê, acordei pensando nas questões seguintes:
1. O apego dos Foguenses às suas raizes;
2. A imagem do Fogo no contexto nacional; e
3. Algumas acções necessárias para a afirmação da ilha do Fogo.
Em Maio de 2008, durante um jantar, em ambiente de convívio com os amigos, veio à tona, a questão do amor que os cabo-verdianos têm pela sua terra.
É certo, que os demais presentes, nacionais e estrangeiros, reiteraram que cada um, à sua maneira, tem o carinho que tem pela sua terrinha, entretanto, alguém do grupo – não cabo-verdiano, mas residente em Cabo Verde há largos anos, referiu que, os cabo-verdianos, de todas as ilhas, sem excepção, têm forte apego às suas raizes, mas, é possível vislumbrar que, os da ilha do Fogo manifestam carinho à sua ilha com maior intensidade.
Apesar de aprovar a opinião da pessoa, ainda hoje, continuo em busca das razões – quiçá alguém possa me ajudar a encontrar algumas...
Fogo, a ilha do vulcão, detentora de uma das mais belas paisagens do nosso arquipélago, terra de Pedro Cardoso [poderia ter falado de H.T. de Sousa], poeta e prosador do melhor gabarito nacional, aquele que em 1928, chamou o cabo-verdiano de neto de Portugal: “Nasci na ilha do Fogo, / Sou, pois, caboverdeano. / E disso tanto me ufano / Que por nada dera tal. / Se filho de Cabo Verde, / Assevero – fronte erguida – / Que me é honra a mais sabida / Ser neto de Portugal!” e também se proclamou: “A minha Pátria é uma montanha/Olímpica, tamanha! / De lavas rugidoras e candentes... / Na verdade, escutai! — chama-se Fogo! / Quando vier, Pátria amada, / A morte p'ra me levar, / Deixa-me a fronte cansada / Em teu seio repousar! Repouso esse que continua a ser o cemitério da várzea [ porque não São Filipe ???], ainda que o coveiro não consegue indicar com exactidão a sua campa, diz-se!
Relativamente à imagem da ilha do Fogo no contexto nacional, quero crer que ela é dúbia... pois, se por um lado, da conversa com os conhecedores da ilha, residentes e não só, ficamos com a ideia que, ela tem um vasto potencial, nos mais variados sectores, todos ainda por explorar, por outro, a ideia acerca da mesma, assenta em aspectos ligados ao baixo nível de desenvolvimento [a todos os níveis e não apenas económico], fraco dinamismo empresarial local e baixo profissionalismo das estruturas de representação.
Independentemente de procurarmos avaliar a justiça desta imagem em relação à realidade do que se vive no Fogo, convém reflectir sobre os mecanismos que conduzem à percepção que os outros têm sobre o que cada um de nós é e, quais os sinais que a ilha emite para o exterior. Esses sinais deviam evidenciar uma ilha desenvolvida, aberta ao mundo, às novas ideias, uma vez que ela possui muitos filhos emigrados, portanto que convivem diáriamente com novas culturas e novos hábitos, mas pelo contrário, mostram uma ilha, com algum dinamismo, é certo, mas ainda fechada, tradicionalista, conservadora e acima de tudo, muito pobre.
Os aspectos acima indicados leva-nos a concluir da necessidade de algumas acções que se afiguram importantes para a ilha:
1. Reconhecer que existe uma [quase] ausência de estratégia concertada para a inserção da ilha no todo nacional, numa crescente interdependência e coordenação com o poder central, por forma a que as projectos pensados para o Fogo, sejam tidos como prioritários e realizavéis em tempo oportuno;
2. Desenvolver uma segunda acção essencial: coordenar os diferentes organismos políticos, económicos, culturais, educacionais, etc.. tendo em conta o objectivo comum de promover a ilha enquanto espaço atractivo a novas iniciativas empresariais, àqueles que procuram um lugar para a sua realização profissional e familiar, aos turistas, aos decisores políticos, económicos, culturais, etc; e
3. Juntos trabalhar para a melhoria da imagem que os outros possuem da ilha. Num acto em que a capacidade empresarial dos emigrantes e descendentes da ilha é tida como uma mais-valia de que não se pode prescindir.