Wednesday, December 22, 2010

Dúvidas sobre a austeridade, Bono e uma cultura de cortes

O Financial Times é o meu jornal preferido, sendo a secção de analysis o foco das minhas atenções, entretanto, às vezes entre o esfolhear das páginas encontro mais alguns artigos interessantes. Interessantes porque, por um lado, me fazem lembrar da minha infância, minhas vivências, ku plástico txapadu, suor na testa, pé na txon, na caminho de Cova Figueira ou de São Filipe e, porque retratam temas actuais, de forma clara e inteligente, por outro.

Hoje, foi um daqueles dias em que encontrei uns escritos de Michael Holman, ex-editor do Financial Times em África, sob o título “Yours baffled, on Austerity, Bono and a culture of cuts” qualquer coisa como «Dúvidas sobre a austeridade, Bono e uma cultura de cortes»!

O artigo relata uma correspondência entre o pai e o filho, estando este a estudar em Londres e aquele em África...

Eis ela...

Querido pai,

Cumprimentos de Londres, onde todos estão falando sobre "cortes". À semelhança dos momentos em que o pai lutava com o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. Lembre-se daquele dia, quando dois rapazes chegaram ao seu escritório? Tinha sido a primeira visita dos dois à África. Eles eram espertos. Um trabalhava para o Banco, o outro para o Fundo. Na altura o pai era Secretário Permanente para a Educação. Eles queriam falar de cortes: nos serviços público, na saúde, na educação, em empresas estatais, em todos os lugares, só se ouvia “cortes”. Lembro que naquela noite o pai voltou à casa muito irritado.

"Esses garotos espertos com os seus programas de ajustamento estrutural, vão tornar a vida muito difícil, eles vão destruir uma geração", disseste para a mãe durante o jantar.

Aqui em Inglaterra, existe a mesma conversa, as mesmas palavras, mesmas ideias.

"E possivelmente os mesmos resultados, disse o primo Didymus. O nosso amigo Inglês, Anthony, que quer ir para a universidade, não riu.

"Não é engraçado", disse ele.

Graças a Deus, o FMI e o BM já não nos incomoda tanto em África como costumavam. Em vez disso, estão a observar a Irlanda - exactamente tal como costumavam nos ver, sentados nos respectivos escritórios, próximo ao do Governador do Banco Central.

Quem, por sinal, está na delegação da União Africana, que vai aconselhar os Irlandeses sobre "direito à propriedade, participação popular e consultoria"? Ouvi dizer que eles se reunirão com o Bono, que vai levar supermodelos, estrelas da música pop e locutores da BBC, que irão fazer um apelo à "Redução da Dívida da Irlanda".

Anthony disse-me que, haverá transporte aéreo para Dublin para os especialistas em ajuda, consultores em desenvolvimento e até especialistas transversais.

Ele disse que talvez juntar-se-á a eles, e depois fará o ano pré-universitário na Irlanda.

Na última carta para mim, minha irmã e meu irmão pediram para explicar-lhes acerca desses cortes na Inglaterra. Eu vou tentar. Algumas coisas eu sei que eles não vão acreditar, mas são verdadeiras. Outras coisas são muito difíceis de explicar, e eu mesmo ainda estou aprendendo. Quando perguntei ao professor de sociologia para explicar as coisas, ele respondeu que "a pobreza é relativa". Isso significa... bem, eu não tenho certeza.

Mas, muita coisa aconteceu desde que eu saí de casa e vim estudar aqui. Está a custar mais do que pensávamos. Mas eu tenho sorte. Muita sorte. Tenho um trabalho no McDonald's. Eles me pagam o salário mínimo, £6 por hora. Alguns dos meus amigos Ingleses chamam isso de salário de "lixo". Eu acho que é por isso que poucos alunos Ingleses estão trabalhando no McDonald's.

Disse-lhes que, num único fim de semana, a trabalhar horas extras, ganho o que o meu irmão mais novo recebe como segurança, por um ano. Anthony está pedindo aos seus pais e amigos para patrociná-lo ou ajudar-lhe a angariar dinheiro para seu "ano de voluntariado". Isso significa que ele quer que eles o ajudem a comprar o seu bilhete para a África. Ele diz que irá ao nosso país e ajudará as pessoas que vivem em favelas. Isso seria "brilhante", ele me informou.

Agora, deixe-me falar sobre "cortes". As pessoas têm muito medo de cortes, especialmente "cortes selvagens", que virão em breve. Todos os dias eles estão chorando. Ouvi com muita atenção.

Estas são algumas das coisas que eu pude perceber. Esta parte da carta, a família e o pai podem não acreditar. Mas eu vos garanto é pura verdade.

Em primeiro lugar, neste país, o governo paga as pessoas para ter filhos. Mil libras! Sim, eu sei - que é a renda média do nosso povo!

Mil! Para cada criança. A cada ano. Até os 18 anos.

Didymus disse para não dizer isso ao tio Tangwenya. Ele já é pai de sete. Se alguém lhe prometer dinheiro para fazer filhos, ele viria para Londres e, nenhuma mulher estaria salva, diz ele.

Estes abonos de família em breve serão cortados, diz o governo. Para mim, são águas passadas, mas para os pais é muito preocupante.

Minha irmã Patience, perguntou se era verdade que as crianças na Inglaterra não precisam de andar até a escola. Ela tem razão. Se a criança vive mais de três milhas da escola, o município deve fornecer transporte. Mesmo se for táxi! Sim, é a lei.

Mas há um grande receio que as cortes poderiam acabar com isso. Outras coisas podem ser cortadas. Os filhos do meu vizinho são muito preguiçosos, e estão dormindo, quando deveriam estar na escola. Sim! Dormir! Ainda que tenham uma boa faculdade com livros e professores, e salas de aula com janelas, com vidro e tudo.

E se chegarem todos os dias a tempo, eles são pagos! Sim! Vinte libras por semana. Só para chegar ao seu colégio a tempo. Eles o chamam de "subsídio de manutenção da educação".

Da próxima vez vou falar mais sobre essa questão de "cortes" - embora o pai não vai acreditar na maioria das coisas. No nosso país, quando você é demitido, pode morrer de fome. Aqui, nunca. Nunca! Há "indemnizações", "prestações de desemprego"e acções de formação.

Tenho que terminar, senão chegarei atrasado ao trabalho. Didymus disse-me para perguntar ao professor de sociologia: “Se é relativa a fome, assim como dizem que a pobreza é relativa?” "Engraçado, deve perguntar, porque esse é o tema do teu próximo ensaio". Deves entregá-lo para mim na terça-feira, acrescentou ele".

Didymus reiterou ainda que, eu devia escrever sobre o que disse Kenneth Kaunda – após anos de cortes na Zâmbia. “O medicamento foi tão forte que matou o paciente”.

Anthony parecia muito interessado, tendo perguntado, "se as pessoas na Zâmbia, ainda sentiam dores".

"Sim", disse-lhe eu.
Ele parecia mais alegre: “Parece um bom lugar para o meu ano de voluntariado. Se eu não ir para a Irlanda...”

Seu querido filho.

Mais palavras p’ra quê...?

Macau, 23 de Dezembro de 2010

Tuesday, December 14, 2010

10 ESTRATÉGIAS DE MANIPULAÇÃO ATRAVÉS DA MÍDIA SEGUNDO CHOMSKY

O lingüista estadunidense Noam Chomsky elaborou a lista das “10 estratégias de manipulação” através da mídia:

1 – A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

2 – CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES
Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3 – A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO
Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4 – A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO
Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5 – DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE
A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê?”Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

6 – UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos.Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

7 – MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE
Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

8 – ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE
Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

9 – REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE
Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!

10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM
No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

Fonte: www.institutojoaogoulart.org.br
http://www.locoporti.blog.br/10-estrategias-de-manipulacao-atraves-da-midia-segundo-chomsky/

Friday, December 10, 2010

Djarfogo tem

Djarfogo tem
Burkan,
Tem
Camoca
Tem
Manecon
Tem
Cafe
Tem
Fijon
Tem
Poetas
Tem
Sobrados
Tem
Homis raskon
Tem
Mudjes janotas
Djarfogo tem
Kel ki bu pode imagina!

Introducing Cape Verde

Most people only know Cape Verde through the haunting mornas (mournful songs) of Cesária Évora. To visit her homeland – a series of unlikely volcanic islands some 500km off the coast of Senegal – is to understand the strange, bittersweet amalgam of West African rhythms and mournful Portuguese melodies that shape her music.

It’s not just open ocean that separates Cape Verde from the rest of West Africa. Cool currents, for example, keep temperatures moderate, and a stable political and economic system help support West Africa’s highest standard of living. The population, who represent varying degrees of African and Portuguese heritage, will seem exuberantly warm if you fly in straight from, say, Britain, but refreshingly low-key if you arrive from Lagos or Dakar.

Hot Top Picks For Cape Verde

1 Mt Fogo
Huff to the top of this stunning, cinder-clad mountain, the country’s only active volcano and, at 2829m, its highest peak.

2 Mardi Gras
Down quantities of grogue, the rumlike national drink, and dive into the colour and chaos in Mindelo.

3 Santo Antão
Hike over the pine-clad ridge of the island, then down into its spectacular canyons and verdant valleys.

4 Windsurfing
Head to the beaches of Boa Vista, and fill your sail with the same transatlantic winds that pushed Columbus to the New World.

5 Traditional music
Watch musicians wave loved ones goodbye with a morna or welcome them back with a coladeira.

6 Cidade Velha
Becomes Cape Verde's first World Heritage site in June 2009.
The town of Ribeira Grande de Santiago, renamed Cidade Velha (Old Town) in the late 18th century, was the first European colonial outpost in the tropics.
Located in the south of the island of Santiago, the town features some of the original street layout impressive remains including two churches, a royal fortress and Pillory square with its ornate 16th century marble pillar.