Wednesday, March 16, 2011

A furia da Natureza ou a ganância dos Homens – qual a mais perigosa ?

Há menos de uma década, uma grande catástrofe caiu sobre o oceano índico, devastando grandemente países com a Indonésia e a Tailândia, ceifando milhares de vidas – em efeitos combinados de terramotos e tsunamis numa escala há muito não vista. Algo semelhante, acrescido de uma terceira agravante – radiação nuclear, vem afectando o Japão – este pequeno grande país do Oriente – as terras do sol nascente e de Monte Fuji, habitadas por um Povo corajoso e labutador que, ao longo dos anos construiu um País-modelo para os pequenos Estados – se olharmos apenas pela dimensão territorial.
Estima-se que o número de mortos deverá atingir algumas dezenas de milhares, não sabendo por enquanto, qual será a repercussão das radiações emitidas pelas principais centrais nucleares, sitas na zona litoral do país, entretanto gravemente afectadas por essa desastre natural. Já se fala numa nova Chernobyl! Esperemos que não, pois o mundo desenvolveu e o poderio económico e tecnológico global de hoje, está decerto acima do da URSS de então.

O Governo Japonês tem feito esforços, mas na frente de calamidades a esta escala, só a união de forças (talvez) poderá surtir efeitos imediatos. Vários países tem tentado apoiar. Desde os Estados Unidos da América, passando pela China até ao Afeganistão, há já sinais de djuntamon. De Cabo Verde ainda não ouvimos nada, mas acreditamos que embora em periodo de formação de um novo Governo, o arquipélago saberá mostrar a sua solidariedade. Além das sentidas condolências da praxe, devemos todos Cabo-verdianos contribuir para ajudar os Japoneses – aquele Povo Amigo que sempre nos estendeu a mão e que, hoje está sem água, sem luz e sem pão, a meio de um intenso inverno.

Devemos em momentos destes, mas não apenas, refelectir um pouco – lembrar que se o Japão, com as suas robustas infraestruturas, com um eficiente sistema de prevenção e protecção não conseguiu suportar a fúria da natureza, o que seria de nós, filhos de um vulcão ainda activo (?) – portanto, residentes dentro de uma grande caldeira a lume brando – no meio do atlântico, se algo parecido nos batesse a porta. Que Deus nos proteja!

Não olividemos nunca, 1951 e/ou 1994, citando apenas datas das erupções mais recentes.

Enquanto isso, ouvimos falar na comunicação social que as forças de Kadhafi está prestes a chegar em Benghazi para travar a grande luta que deverá permitir-lhes controlar o último reduto dos rebeldes, caso a comunidade internacional não intervir.

Da França ouvimos um Sarkozy empenhado em mandar o autor do Livro Verde embora, afirmando que os rebeldes são os legítimos governantes da Libya, ao mesmo tempo que o chefe das armas, o filho mais próximo de Kadhafi, diz que foram eles os grandes financiadores da campanha que permitiu a eleição de Sarkozy – afinal, em quem acreditar?!? Na força das armas ou no boletim de voto!?! Tenho dúvidas! Porém, não duvido da força do papelzinho verde contendo a cara de Benjamin Franklin. O mesmo que nos permite ter acesso ao ouro negro, que financia a compra dos caças que abre portas aos ataques aéreos, resultando em grandes massacres.
Mais abaixo, la pelas bandas da chamada CEDEAO, a Costa do Marfim, continua mergulhada na incerteza, com os dois ditos presidente-eleito a não se entenderem – não sabendo a União Africana o que fazer. Será que vamos ter mais mais 30 anos de guerra e de mortes, tal como acontecera em Angola? In God We Trust!

Depois do caos na Tunísia e no Egipto, passando pela Libya, tudo aponta que em Bahrain e Yemen, enfim, um pouco por todo o lado há sinais de instabilidade. Com este clima poderá a África crescer acima de 6% como fez em 2010, apesas da crise mundial ? If not, já sabemos qual será o resultado. Fomes e mortes, resultantes da ganância pelo poder, mas também devido ao aumento do preço dos cereais.

No final, só nos restará contabilizar as destruições e o número de mortos para concluir se é a fúria da Natureza ou a ganância dos Homens a mais perigosa !?!

Wednesday, December 22, 2010

Dúvidas sobre a austeridade, Bono e uma cultura de cortes

O Financial Times é o meu jornal preferido, sendo a secção de analysis o foco das minhas atenções, entretanto, às vezes entre o esfolhear das páginas encontro mais alguns artigos interessantes. Interessantes porque, por um lado, me fazem lembrar da minha infância, minhas vivências, ku plástico txapadu, suor na testa, pé na txon, na caminho de Cova Figueira ou de São Filipe e, porque retratam temas actuais, de forma clara e inteligente, por outro.

Hoje, foi um daqueles dias em que encontrei uns escritos de Michael Holman, ex-editor do Financial Times em África, sob o título “Yours baffled, on Austerity, Bono and a culture of cuts” qualquer coisa como «Dúvidas sobre a austeridade, Bono e uma cultura de cortes»!

O artigo relata uma correspondência entre o pai e o filho, estando este a estudar em Londres e aquele em África...

Eis ela...

Querido pai,

Cumprimentos de Londres, onde todos estão falando sobre "cortes". À semelhança dos momentos em que o pai lutava com o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. Lembre-se daquele dia, quando dois rapazes chegaram ao seu escritório? Tinha sido a primeira visita dos dois à África. Eles eram espertos. Um trabalhava para o Banco, o outro para o Fundo. Na altura o pai era Secretário Permanente para a Educação. Eles queriam falar de cortes: nos serviços público, na saúde, na educação, em empresas estatais, em todos os lugares, só se ouvia “cortes”. Lembro que naquela noite o pai voltou à casa muito irritado.

"Esses garotos espertos com os seus programas de ajustamento estrutural, vão tornar a vida muito difícil, eles vão destruir uma geração", disseste para a mãe durante o jantar.

Aqui em Inglaterra, existe a mesma conversa, as mesmas palavras, mesmas ideias.

"E possivelmente os mesmos resultados, disse o primo Didymus. O nosso amigo Inglês, Anthony, que quer ir para a universidade, não riu.

"Não é engraçado", disse ele.

Graças a Deus, o FMI e o BM já não nos incomoda tanto em África como costumavam. Em vez disso, estão a observar a Irlanda - exactamente tal como costumavam nos ver, sentados nos respectivos escritórios, próximo ao do Governador do Banco Central.

Quem, por sinal, está na delegação da União Africana, que vai aconselhar os Irlandeses sobre "direito à propriedade, participação popular e consultoria"? Ouvi dizer que eles se reunirão com o Bono, que vai levar supermodelos, estrelas da música pop e locutores da BBC, que irão fazer um apelo à "Redução da Dívida da Irlanda".

Anthony disse-me que, haverá transporte aéreo para Dublin para os especialistas em ajuda, consultores em desenvolvimento e até especialistas transversais.

Ele disse que talvez juntar-se-á a eles, e depois fará o ano pré-universitário na Irlanda.

Na última carta para mim, minha irmã e meu irmão pediram para explicar-lhes acerca desses cortes na Inglaterra. Eu vou tentar. Algumas coisas eu sei que eles não vão acreditar, mas são verdadeiras. Outras coisas são muito difíceis de explicar, e eu mesmo ainda estou aprendendo. Quando perguntei ao professor de sociologia para explicar as coisas, ele respondeu que "a pobreza é relativa". Isso significa... bem, eu não tenho certeza.

Mas, muita coisa aconteceu desde que eu saí de casa e vim estudar aqui. Está a custar mais do que pensávamos. Mas eu tenho sorte. Muita sorte. Tenho um trabalho no McDonald's. Eles me pagam o salário mínimo, £6 por hora. Alguns dos meus amigos Ingleses chamam isso de salário de "lixo". Eu acho que é por isso que poucos alunos Ingleses estão trabalhando no McDonald's.

Disse-lhes que, num único fim de semana, a trabalhar horas extras, ganho o que o meu irmão mais novo recebe como segurança, por um ano. Anthony está pedindo aos seus pais e amigos para patrociná-lo ou ajudar-lhe a angariar dinheiro para seu "ano de voluntariado". Isso significa que ele quer que eles o ajudem a comprar o seu bilhete para a África. Ele diz que irá ao nosso país e ajudará as pessoas que vivem em favelas. Isso seria "brilhante", ele me informou.

Agora, deixe-me falar sobre "cortes". As pessoas têm muito medo de cortes, especialmente "cortes selvagens", que virão em breve. Todos os dias eles estão chorando. Ouvi com muita atenção.

Estas são algumas das coisas que eu pude perceber. Esta parte da carta, a família e o pai podem não acreditar. Mas eu vos garanto é pura verdade.

Em primeiro lugar, neste país, o governo paga as pessoas para ter filhos. Mil libras! Sim, eu sei - que é a renda média do nosso povo!

Mil! Para cada criança. A cada ano. Até os 18 anos.

Didymus disse para não dizer isso ao tio Tangwenya. Ele já é pai de sete. Se alguém lhe prometer dinheiro para fazer filhos, ele viria para Londres e, nenhuma mulher estaria salva, diz ele.

Estes abonos de família em breve serão cortados, diz o governo. Para mim, são águas passadas, mas para os pais é muito preocupante.

Minha irmã Patience, perguntou se era verdade que as crianças na Inglaterra não precisam de andar até a escola. Ela tem razão. Se a criança vive mais de três milhas da escola, o município deve fornecer transporte. Mesmo se for táxi! Sim, é a lei.

Mas há um grande receio que as cortes poderiam acabar com isso. Outras coisas podem ser cortadas. Os filhos do meu vizinho são muito preguiçosos, e estão dormindo, quando deveriam estar na escola. Sim! Dormir! Ainda que tenham uma boa faculdade com livros e professores, e salas de aula com janelas, com vidro e tudo.

E se chegarem todos os dias a tempo, eles são pagos! Sim! Vinte libras por semana. Só para chegar ao seu colégio a tempo. Eles o chamam de "subsídio de manutenção da educação".

Da próxima vez vou falar mais sobre essa questão de "cortes" - embora o pai não vai acreditar na maioria das coisas. No nosso país, quando você é demitido, pode morrer de fome. Aqui, nunca. Nunca! Há "indemnizações", "prestações de desemprego"e acções de formação.

Tenho que terminar, senão chegarei atrasado ao trabalho. Didymus disse-me para perguntar ao professor de sociologia: “Se é relativa a fome, assim como dizem que a pobreza é relativa?” "Engraçado, deve perguntar, porque esse é o tema do teu próximo ensaio". Deves entregá-lo para mim na terça-feira, acrescentou ele".

Didymus reiterou ainda que, eu devia escrever sobre o que disse Kenneth Kaunda – após anos de cortes na Zâmbia. “O medicamento foi tão forte que matou o paciente”.

Anthony parecia muito interessado, tendo perguntado, "se as pessoas na Zâmbia, ainda sentiam dores".

"Sim", disse-lhe eu.
Ele parecia mais alegre: “Parece um bom lugar para o meu ano de voluntariado. Se eu não ir para a Irlanda...”

Seu querido filho.

Mais palavras p’ra quê...?

Macau, 23 de Dezembro de 2010

Introducing Cape Verde

Most people only know Cape Verde through the haunting mornas (mournful songs) of Cesária Évora. To visit her homeland – a series of unlikely volcanic islands some 500km off the coast of Senegal – is to understand the strange, bittersweet amalgam of West African rhythms and mournful Portuguese melodies that shape her music.

It’s not just open ocean that separates Cape Verde from the rest of West Africa. Cool currents, for example, keep temperatures moderate, and a stable political and economic system help support West Africa’s highest standard of living. The population, who represent varying degrees of African and Portuguese heritage, will seem exuberantly warm if you fly in straight from, say, Britain, but refreshingly low-key if you arrive from Lagos or Dakar.

Hot Top Picks For Cape Verde

1 Mt Fogo
Huff to the top of this stunning, cinder-clad mountain, the country’s only active volcano and, at 2829m, its highest peak.

2 Mardi Gras
Down quantities of grogue, the rumlike national drink, and dive into the colour and chaos in Mindelo.

3 Santo Antão
Hike over the pine-clad ridge of the island, then down into its spectacular canyons and verdant valleys.

4 Windsurfing
Head to the beaches of Boa Vista, and fill your sail with the same transatlantic winds that pushed Columbus to the New World.

5 Traditional music
Watch musicians wave loved ones goodbye with a morna or welcome them back with a coladeira.

6 Cidade Velha
Becomes Cape Verde's first World Heritage site in June 2009.
The town of Ribeira Grande de Santiago, renamed Cidade Velha (Old Town) in the late 18th century, was the first European colonial outpost in the tropics.
Located in the south of the island of Santiago, the town features some of the original street layout impressive remains including two churches, a royal fortress and Pillory square with its ornate 16th century marble pillar.