Monday, June 8, 2009

FOGO: INFRAESTRUTURAS, EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO

Prevê-se que no dia 13 de Junho do corrente ano, S.E. o Primeiro Ministro de Cabo Verde, Senhor José Maria Neves, estará na Ilha do Fogo para o lançamento da primeira pedra do futuro anel rodoviário da ilha.

Será esse um dia qualquer ? Será o lançamento de mais uma outra pedra ? Ou será o acordar de uma ilha que, durante pelo menos três décadas permaneceu em fase latente de adormecimento ?

Relativamente à terceira pergunta – esclareço que me refiro a três décadas, pois, foram estas que testemunhei com os meus próprios olhos - embora durante esta última, tenho sido um observador atento, mas à distância.

É evidente que o binómio infraestrutura e educação representa o que Djarfogo mais necessita para entrar na caroça de desenvolvimento, há pelo menos três decadas. Investimentos regulares e adequados em infraestruturas propiciam crescimento económico e os direcionados à educação aumentam a base cultural e ampliam as possibilidades de competitividade do cidadão, acabando por induzir o desenvolvimento do local/região ou país.

Sem dados estatísticos palpáveis em mãos, e sem a necessidade premente de vasculhar os poucos inquéritos sobre o desenvolvimento económico-social da ilha, acredito entretanto, não correr sério risco de cometer qualquer pecado, se afirmar que o desenvolvimento da Ilha do Fogo, vem sendo sistemáticamente penalizada pelos sucessivos governos da república.

Neste pequeno texto, sem entrar em polémicas, debruço-me à tangente sobre os sectores de (1) transportes e (2) educação, usando como exemplo algumas experiências vivídas na deslocação São Filipe/Praia nos últimos três anos para demonstração de quão tamanha são as dificuldades dos foguenses:

1. Deficiente Sector dos Transportes
O reflexo disso é visível nas más condições das estradas, por onde passam os produtos provenientes do interior da ilha, destinada ao mercado municipal em São Filipe e, bem assim, às demais ilhas, entre as quais Santiago e Sal; nos gargalos do sistema portuário e na deficiente ligação aérea. Essa deficiente rede dos transportes leva a uma subida generalizada dos custos dos produtos, quando não impossibilitam a sua entrada atempada no mercado, devido à demora em chegar ao destino final, acabando por apodrecer pelo caminho, contribuindo para a não competitividade, causando transtornos ao produtor/comerciante e retracção dos poucos investimentos de gente humilde.

Sem muitos detalhes, pois existe um vastíssimo número de exemplos que poderia citar - deixo para os demais leitores e comentaristas que, certamente também tiveram experiências semelhantes. Mas antes, que não é o espiríto de bairrismo/localismo nem muito menos politiquíce que me leva a este desabafo.

(1) Em Janeiro de 2007, encontrava-me na Ilha do Fogo, depois de sucessivos cancelamentos no vôo São Filipe/Praia, acabei por desistir e peguei um barco, cujo a viagem demorou cerca de 6 horas, juntamente com animais, plantas e, no meio de crianças, jóvens, idosos – enfim gente de todos os cantos da ilha, num sobrecarregamento nunca d’antes visto – nem nos tempos do Navio Furna. Mas, o que me decepcionou não é o facto da viagem não ser cómoda – não estava à espera disso – mas sim, as estórias que ouvi de pessoas que tinham passado uma semana com sacos de batatas, entre outros produtos (maioritáriamente vindos dos Mosteiros/região norte da ilha) no porto de Vale dos Cavaleiros, à espera de uma oportunidade para trasportá-los até à capital do país, onde a procura é relativamente maior e pode-se arrecadar mais alguns tustões.

(2) Em Maio de 2008, lá estava eu, de novo, no aeroporto de São Filipe – a verdade seja dita, cheguei a pedir ao todo poderoso nosso Senhor para evitar que o sucedido do ano anterior se repetisse. Bem, não chegou a repetir-se mas passou por perto. Conforme me explicaram na agência de viagem, ainda na Praia, antes de deslocar ao Fogo, devia no dia do regresso, estar no aeroporto ás 9:25 a.m., atenção que tento cumprir sempre com a pontualidade – e, se durante largos anos frequentei o licéu na mesma cidade com início das aulas ás 7:40 a.m., – com uma pontualidade invejável, depois de largas horas a pés no circuíto São Filipe/Forno/São Filipe, não era esse o dia em que me iria perder o vôo por causa do atraso. Entretanto, chego na sala de embarque (diga-se de passagem, uma gare coberta com chapas de zinco (...sem mais detalhes...)) e a funcionária no balcão de atendimento me informou que, o vôo inicialmente marcado para ás 10:00 a.m., foi adiado para às 12:00 ... mais tarde, vi a mesma a identificar os passageiros; de início, essencialmente os turistas, para ir a um restaurante no centro da cidade para o almoço, pois o vôo tinha sido adiado novamente para às 2:30 p.m., vendo isso, lá fui eu indagar o que se passava e acabei por embrulhar no meio dos turistas e fui parar a um restaurante, ali perto da antiga cadeia cívil (bem ao lado de um já conhecido Restaurante Seafood – este eu já tinha conhecido dias atrás), em cujo o proprietário é um ex-emigrante, gente de trato fino, não só o foi para comigo, digo, extensivo a todos os presentes, em especial para com os turistas, não falantes do Crioulo/Português que, ali estavam desmotivados e incrédulos com tudo, inclusivé com as empregadas de mesa (as tais garçonetes como dizem os irmãos brazucas) que por terem sidos instruídas que os passageiros só tinham direito a uma bebida não alcoólica, concluiram que devia ser um “Suco +” ou “Jumex” – que por acaso, até foi ao encontro do paladar/gosto da maioria dos presentes, mas como se sabe, nem todos nós somos consumidores do açucar, pelo que, havia gente, que preferia outro tipo de bebida, menos açucarada – mas não tiveram a oportunidade de escolha ... bem chega destes detalhes!

Por volta das 3:30 p.m., voltamos ao aeroporto (umas 20 pessoas no mesmo hiace – cujo a lotação é estimada para 15 passageiros) com a informação de que, o vôo seria ás 4:30 p.m., que entretanto, não veio a acontecer – se a memória não me falha, só cheguei a Praia por volta das 6:30 p.m., num vôo em que o melhor que aconteceu foi um tour que os pilotos decidiram nos dar até bem próximo da cratera do vulcão – Ah nôs Vulcão – uma paisagem deslumbrante – Só Visto!

Bem a conversa foi mais extensa do que imaginava ... no entanto, o melhor, aliás, pior, dessa estória toda foi/vai para o “Gil de Djudju” ou “Gil de José di Putchin” – não interessa o apelido (que não sei), acredito que alguém deve conhecê-lo, na altura a residir na Ilha do Sal, antes em Cova Figueira, anteriormente, presumo que em Bombardeiro, portador de um cesto cheio de queijos, não faço ideia quantos eram, presumo que ascendiam a uma centena, que acabou por também perder o vôo Praia/Sal, pelo que, não faço ideia qual foi o estado final daqueles saborosos derivados do leite, e muito menos do prejuízo económico que a TACV lhe causou. Um queijo na Ilha do Fogo custa 120 ECV – na Ilha do Sal (ouvi dizer que), é vendido por 300 ECV nas unidades hoteleiras, daí que, nessa viagem ele deve ter perdido (espero que não) uns 30.000 ECV, o equivalente ao salário mensal de um barbeiro naquela ilha.

(3) Em Novembro do corrente ano, lá estava eu, uma vez mais no aeroporto de São Filipe, à espera do vôo – mesmo destino – desta vez a gare ganhou outra pinta – com tecto esverdeado, que me fez lembrar uma piada do pessoal lá em Roçadas – diziam que em tempos de seca e falta de pasto o burro come tudo, basta lhe adornar/arranjar uns óculos verdes – será que existe alguma semelhança com o tecto do aeroporto de São Filipe – aeroporto este que na altura tinha uma mini-estrada asfaltada no meio da pista – acrescido de um tapete rolante último grito, deixando transparecer a atenção que é dedicada à Ilha do Fogo.

Ora, mudando de assunto, neste dia, os atrasos não foram tantos, saímos do Fogo por volta das 4 p.m., num vôo que devia ter saido por volta das 10 a.m., em que tive a sorte de ver o Senhor Avelino Bonifácio, ex-Ministro da Economia, Crescimento e Competitividade, agora Coordenador da Plataforma das ONGs, observando in loco, os grandes ganhos que Djarfogo tem tido, em especial o cheiro nauseabundo e o calor proporcionado pelas novas infraestruturas aeroportuárias da ilha. Os prejuízos, estes ficaram reduzidos ao tom amarelado que ganharam dois litros de feijão congo, mas que ainda assim, serviram para um bom pitéu, já não me lembro se foi almoço ou jantar – tanto faz, fijon figuera (sima nu ta fla na Fogo) ê sabi!

No que se refere à rede de estradas, sabendo que, a construção do anel rodoviário e, bem assim, a asfaltagem da estrada Salto/Chã das Caldeiras, poderá ajudar a solucionar alguns dos problemas, mas longe de pôr cobro aos tantos que existem no sector dos transportes da ilha - pelo que, de momento no comments - aguardo pela inauguração!

2. Uma Nova Visão para o Sector de Educação Necessita-se
É preciso uma nova visão para o sector da educação, em que os alunos, além da parte currícular vigente, devem conhecer e compreender a realidade onde vivem e onde serão chamados a participar como cidadãos e como profissionais. O desenvolvimento necessita cada vez mais de pessoas informadas sobre a realidade onde vivem e trabalham. Pessoas desinformadas não participam, e sem participação não há desenvolvimento. O envolvimento construtivo do cidadão se dá no nível da sua própria aldeia/cidade/ilha; emfim, na sociedade ao seu redor, onde nasceu, cresceu, ao articular-se com pessoas que conhece directamente e instituições concretas que fazem parte do seu quotidiano.

Soube recentemente que na localidade de Patim, um grupo de jóvens, depois de analisar as características dos povoados ao redor, onde os pastores criam gado caprino, mas por falta de conhecimento não os abate em data oportuna e não retiram o máximo benefício do seu gado, organizaram-se, e com os meios de que dispunham fizeram parcerias entre familiares e amigos, criando uma pequena empresa de comercialização de carne caprino e suíno, olhando para o mercado das Ilhas de Santiago e Sal, com maiores potencialidades, pois são as que mais rápidamente tem se desenvolvido a nível nacional.

Esta visão de que podemos ser donos da nossa própria transformação económica e social, de que o desenvolvimento não se espera mas se faz, constitui uma das mudanças mais profundas que deve 'fazer escola' na Ilha do Fogo, pois tira-nos da atitude de espectadores críticos de um governo sempre insuficiente, ou do pessimismo passivo, devolvendo ao cidadão a compreensão de que pode tomar o seu destino, enquanto existe dinâmica social que facilite o processo, gerando sinergia entre os diversos sectores.

Mas do que vale estas ideias, se a carne que produzem em Patim acaba por estragar ali mesmo na ilha, pois, não existem apoios para a instalação de um serviço a frio e/ou facilidades de transporte para fazê-las chegar aos mercados em franco crescimento nas ilhas com maiores dinâmicas de desenvolvimento ?

Não seria essa uma oportunidade ímpar de se dar uma mãozinha a estes jóvens sonhadores ?

Seria demasiado pedir a criação de uma Escola de Negócios na Ilha do Fogo – instituição essa que prestaria assessoria/apoios pontuais àqueles que pensam enveredar pelo mundo dos negócios ?

Pois é, sonhos e tantas dicas que podia aqui deixar .... fico por aqui. Chega!

Mas, não sem antes de concluir, de forma simplificada que, embora haja ideias de empreendimentos entre os jóvens da ilha do Fogo; o clima de abandono, a falta de infraestruturas (incluindo facilidades de transporte – nos três domínios : terrestre, marítimo e aéreo) e, bem assim, carência de uma nova visão para o sector de educação, acrescido à inexistência de apoio ao empreendedorismo continuam a ser o calcanhar de aquiles – o factor de bloqueio à descolagem do Fogo, enquanto um dos pólos de desenvolvimento do arquipélago.

Ademais, essa falta de visão de longo prazo na implementação/busca de soluções estruturadas e consistentes que permitiriam a prosperidade da Ilha do Fogo também dificulta o desenvolvimento sustentado de Cabo Verde.

Observação : Espero que o dia 13/6 não seja um dia qualquer; que o lançamento da primeira pedra do anel rodoviário não venha a ser a de mais uma outra pedra; e que, acima de tudo, seja o reconhecimento deste governo que a Ilha do Fogo merece mais e melhor, a bem dos foguenses e deste nosso pequeno/grande Cabo Verde.

Introducing Cape Verde

Most people only know Cape Verde through the haunting mornas (mournful songs) of Cesária Évora. To visit her homeland – a series of unlikely volcanic islands some 500km off the coast of Senegal – is to understand the strange, bittersweet amalgam of West African rhythms and mournful Portuguese melodies that shape her music.

It’s not just open ocean that separates Cape Verde from the rest of West Africa. Cool currents, for example, keep temperatures moderate, and a stable political and economic system help support West Africa’s highest standard of living. The population, who represent varying degrees of African and Portuguese heritage, will seem exuberantly warm if you fly in straight from, say, Britain, but refreshingly low-key if you arrive from Lagos or Dakar.

Hot Top Picks For Cape Verde

1 Mt Fogo
Huff to the top of this stunning, cinder-clad mountain, the country’s only active volcano and, at 2829m, its highest peak.

2 Mardi Gras
Down quantities of grogue, the rumlike national drink, and dive into the colour and chaos in Mindelo.

3 Santo Antão
Hike over the pine-clad ridge of the island, then down into its spectacular canyons and verdant valleys.

4 Windsurfing
Head to the beaches of Boa Vista, and fill your sail with the same transatlantic winds that pushed Columbus to the New World.

5 Traditional music
Watch musicians wave loved ones goodbye with a morna or welcome them back with a coladeira.

6 Cidade Velha
Becomes Cape Verde's first World Heritage site in June 2009.
The town of Ribeira Grande de Santiago, renamed Cidade Velha (Old Town) in the late 18th century, was the first European colonial outpost in the tropics.
Located in the south of the island of Santiago, the town features some of the original street layout impressive remains including two churches, a royal fortress and Pillory square with its ornate 16th century marble pillar.