Monday, June 22, 2009

ALGUMAS ÁREAS QUE O PODER MUNICIPAL FOGUENSE DEVE ESTAR ATENTO

1. Educação
Dizia Henry Peter « A educação faz com que as pessoas sejam fáceis de guiar, mas difíceis de arrastar; fáceis de governar, mas impossíveis de escravizar ».

O sector de educação, desde o pré-escolar ao superior deve merecer um olhar especial por parte das autarquías da ilha do Fogo, por forma a se iniciar um novo ciclo de vida para as gerações vindouras.

A existência de jardins infantis nas localidades, mesmo que a nivel de povoados selecionados conforme a densidade populacional (com pessoal capacitado para a educação pré-escolar), beneficiará as crianças em seu aprendizado e permite desenvolver uma nova forma de encarar o ensino, além de indirectamente, libertar as mães, adolescentes e, em especial meninas, que desde novas envolvem-se no cuidado dos irmãos, para o desempenho de outras actividades. Esta é uma tarefa de todos, em especial do poder municipal, para o bem dos seus municípes.

O ensino primário deve ser estendido a todas as crianças. Ele deve também ser adequado à realidade dos povoados e ao potencial económico de cada município, para que, possa ser a base da integração do aluno no seu meio, auxiliando na transformação social e na construção de um modelo de desenvolvimento sustentável. Para isso, é necessario que sejam equacionados o programa, o currículo e o calendário escolar.

Poucos ainda são os jovens da ilha do Fogo que completam o 12º Ano de escolaridade. Há que pensar em como promover o ensino secundário na ilha, por forma a que os adolescentes não fiquem apenas pela aprendizagem de escrever o nome próprio. Para tal, é preciso que jovens de todos os povoados estejam em pé de igualdade; tenham acesso ao ensino secundário; oportunidades e condições básicas para completar os estudos. Vejamos que, um aluno que sai a pé de Monte Grande a São Filipe; de Achada Furna a Cova Figueira ou de Achada Grande a Mosteiro-trás, não está em pé de igualdade como os que residem nas proximidades dos liceus, pelo que, as autarquías devem criar um sistema de apoio a nível dos transportes que facilite a chegada dos mesmos atempadamente ao estabelecimento de ensino, bem como no regresso aos respectivos povoados. Entretanto, essa não deve ser tarefa exclusiva das autarquías. A família, em especial os pais devem ser os grandes impulsionadores da formação dos filhos.

O ensino técnico também ainda possui um alcance inexpressivo na ilha do Fogo. Se pensamos nos seus 30.000 habitantes, é muito insignificante o número de jovens que hoje frequentam cursos técnico-profissionalizantes. Esta é uma área a desenvolver a curto prazo, se se quer tirar benefício da força de trabalho juvenil.

Embora a prioridade imediata da ilha parece ser ampliar a educação tradicional (ensino pré-primário; primário e secundário) a todas as crianças, deve existir esforços para melhorar o acesso dos jovens ao ensino técnico, principalmente com a oferta de cursos de especialização nas áreas com reais necessidades e potencialidades de desenvolvimento no contexto nacional.

2. Centros Comunitários como Complemento ao Ensino Público
Existe uma grande necessidade de dar nova vida aos centros comunitários já existentes e construir outros nos povoados com maior concentração populacional.

Enquanto não for possível criar escola técnica em todos os municípios, esse modelo de “casa das comunidades” (a que se decidiu denominar de “centro comunitário”), deve ser dinamizada com práticas pedagógicas que privilegiam os jovens enquanto sujeito do processo educativo, como forma de proporcionar a permanência dos mesmos na sua localidade de nascença, voltando o ensino para a realidade que o rodeia.

Os centros comunitários enquanto polos complementares à educação normal, devem ser apoiados pelas autarquías, que garantem a sua infra-estruturação e alocação dos recursos financeiros e humanos. A gerência diária deve ser garantida por uma Associação de Desenvolvimento Local, em parceria com a Associação dos Pais, mediante supervisão do Conselho de Educação da autarquía. Os professores/leitores devem contar com apoio de outros técnicos, quadros qualificados oriundos das diversas instituições/áreas que actuam nos municípios, conforme as exigências curriculares.

Nesta aldeia global e num país com uma vasta diáspora, devemos capacitar os nossos jovens; incutir neles o espirito do não conformismo; dar lhes uma visão moderna, inovadora e crítica. Uma das formas de o fazer é difundindo conhecimento, através dos livros, mas também, passando pela formação em áreas como as novas tecnologias de informação e comunicação e bem assim a capacitação em língua estrangeira. É inconcebível nos dias de hoje encaminhar um jovem a uma universidade no exterior, sem nunca ter sentado na frente de um computador, portanto sem a capacidade de responder um email e muito menos de assegurar um simples diálogo em língua inglesa.

O conceito de centro comunitário deve ser (re)pensado como um modelo complementar adequado para colmatar as lacunas existentes no ensino público em cada município. O conteúdo curricular para a formação complementar deve ser elaborado em função das situações locais, visando uma educação integrada com base na pedagogia de alternância e treinamento voltado para a realidade familiar e do município, em especial para os jovens que perderam a oportunidade de prosseguir os estudos, por um lado, mas também para preparar aqueles com potencialidades de continuar os estudos a nível superior, por outro.

3. Serviços de Saúde
A disponibilização de serviços de saúde à população foguense é muito deficitária, tanto em termos de qualidade como em quantidade, sendo que o acesso aos serviços básicos é limitado nos 3 municípios; notando-se quase sua inexistência no município mas pobre do arquipélago – Santa Catarina do Fogo.

Serviços mais complexos são de difícil acesso às populações, seja por falta de recursos económicos para custear o tratamento ou pelas dificuldades geográficas e disponibilidade imediata de meios de transportes para chegar à capital do país.

Outrossim, os municípios não têm um planeamento estratégico para este importante sector de desenvolvimento. A maior parte das acções tem carácter pontual e as acções de prevenção são reduzidas.

Sabe-se que é demasiado fraca a capacidade de negociação dos municípios com o governo central neste domínio, até porque sem difinir as linhas mestras é difícil saber por onde começar. É fundamental a elaboração de um plano municipal de saúde, definindo políticas e estratégias, baseadas na racionalização dos recursos e estruturas existentes, garantindo a prestação dos serviços necessários. Para que isso aconteça é necessário assegurar a participação da comunidade e de todas as instituições e agentes que actuam nesta área, através do conselho municipal de saúde nos municípios.

Diante desse quadro, as políticas públicas nesta área devem apontar para a realização de um profundo diagnóstico sobre a saúde nos municípios; com a definição de políticas de curto, médio e longo prazos, contemplando programas de atendimento, prevenção e educação em saúde.

De entre os programas a ter em conta deve constar:

• A elaboração de planos municipais de saúde, amplamente discutidos com a população através de conferências/workshops e conselhos de saúde;

• A implantação de sistemas de vigilância sanitária e epidemiológica e dos sistemas de controle e auditoria dos serviços, visando a melhoria da qualidade dos serviços e o controle dos excessos e irregularidades; e

• O aperfeiçoamento dos mecanismos de controlo social, especialmente dos Conselhos Municipais de Saúde, criando condições para seu efectivo funcionamento, inclusive através da capacitação dos seus integrantes.

4. Assistência Social com Metas Definidas
A assistencia social deve ser vista como uma politica permanente de resgate da cidadania das pessoas que estão e são excluídas pelo processo económico-social normal. O poder público deve estimular a inserção social de todos os cidadãos.

A criação de Conselho Municipal para a Assistência Social, poderá ser um passo em direcção à municipalização dos problemas sociais, passando a exigir dos municípios a criação de mecanismos que viabilizem a implementação de políticas de assistência social, como por exemplo, organizar um plano estratégico de assistência social para atender os casos de emergências e de pobreza absoluta, criando programas específicos de assistência para as familias pobres, como o programa de rendimento mínimo, cesta básica (aproveitando a produção agropecuária e pesqueira local) e programas de orientação e serviço social para viabilizar as mínimas condições de vida (alimentação, saude, educação, habitação, etc).

Deve se dar atenção especial às vertentes seguintes:

• A habitação social e melhorias das condições das moradias dos mais pobres;

• A capacitação e aperfeiçoamento da mão-de-obra local;

• O apoio aos idosos e portadores de deficiências, às crianças e os órfãos; e

• A criação de mecanismos, que permite viabilizar e agilizar o fornecimento de documentos pessoais a todos os municípes e que possibilite a entrada dos jovens filhos de pais carenciados no sector do ensino, com a isenção de propinas.

É claro que a autarquía não tem recursos suficientes para beneficiar a todas as familias, que estão em situação de pobreza, por isso, deve estabelecer critérios e prioridades deste projecto, para que os beneficiados sejam os realmente mais necessitados. Para não ser de carácter puramente assistencialista é importante que este projecto esteja associado a actividades necessárias e com metas por cumprir, por exemplo projectos vinculados ao apoio à educação das crianças, com a condição de os mesmos transitarem de ano lectivo.

5. Tributação Municipal Progressiva
Os impostos municipais e as diversas taxas cobradas pelas autarquías devem seguir o princípio da progressividade, cobrando mais a quem ganha mais, sem no entanto, quebrar a vontade destes investirem e produzir mais riqueza, contribuindo assim para a distribuição de riqueza e o desenvolvimento do município.

A simplificação do sistema de arrecadação é fundamental, além da ampliação da base de tributação através do combate à evasao fiscal, por um lado, mas também incentivando os munícipes a enveredar pelo empreendedorismo, em especial o empreendedorismo jovem e empreendedorismo emigrante.

6. Apoio às Micro e Pequenas Empresas
As micro e pequenas empresas podem desempenhar um importante papel no processo de desenvolvimento, gerando renda em áreas menos desenvolvidas e, principalmente evitar o éxodo rural. Podem também, contribuir para a redução de fluxos migratórios inter-ilhas, aumentando as oportunidades de emprego nas regiões onde o mercado não proporciona atractivos para as grandes empresas. As autarquías devem investir na ampliação e melhoria da capacidade/qualidade produtiva local de bens e serviços.

É neste sentido que os foguenses nas ilhas e na diáspora devem mostrar o seu descontentamento e o governo repensar a ideia de cancelamento do financiamento do programa para a construção do Centro de Tratamento, Certificação e Embalagem dos produtos agrícolas da Ilha do Fogo.

Os produtos típicos da ilha do Fogo : vinho; café; liquores de frutas; queijo; doces vários etc, é hoje parte importante daquilo a que designamos de produtos “Made in Cape Verde” – é certamente um orgulho para os foguenses, mas deve também o ser para todos os cabo-verdianos nas ilhas e na diáspora. Tal só é possível com a promoção da qualidade e garantia de seguridade aos consumidores. Sem a existência de um centro de controlo de qualidade será difícil.

As politicas, para este segmento económico, devem englobar as unidades produtivas que estão integradas no processo de reestruturação tecnológica e organizacional da economia local e aquelas formadas por pequenos investidores organizados em cooperativas ou práticas associativas no meio rural.

O desenvolvimento deste sector deve passar pela organização de pequenas empresas em cooperativas/consórcios como forma de aumentar o poder de negociação junto dos fornecedores, clientes e bancos.

As autarquías em parceria com a Agência para o Desenvolvimento Empresarial e Inovação (ADEI) e as Câmaras de Comércio, devem criar uma incubadora de pequenas empresas e viabilizar as operações administrativas e financeira das mesmas em forma de um núcleo único fornecedor de produtos e/ou serviços às unidades hoteleiras ns ilhas com maior dinâmica turística (Sal, Boa Vista e Santiago), recompondo cadeias produtivas, passando por um sistema de maior competitividade, num processo que se quer de cooperação e articulação.

Há que dar prioridade à capacitação gerencial e desenvolvimento tecnológico intimamente ligados com o sistema de treinamento e qualificação profissional que deve se nortear pelo princípio da utilização eficiente dos recursos para a melhoria das condições de vida e de empregabilidade das populações. A operacionalização de políticas para o sector deve ser objecto de acordos envolvendo o sector privado, os governos (central e municipal) e trabalhadores nas câmaras sectoriais e bem assim as associações de desenvolvimento comunitário.

Deve-se facilitar o acesso das micro e pequenas empresas aos concursos para a prestação de serviços promovidos pelas autarquías. Por exemplo estabelecer um programa de fornecimento de refeição quente nas escolas pelas associações comunitárias, mediante acompanhamento dos pelouros da educação e da agricultura do município, por forma a que a produção local, ganhe um novo nicho de expansão. Mas para que estas ideias se transformem em políticas eficientes deve-se considerar os aspectos culturais da população, desenvolver um âmplo consenso quanto ao processo educativo e garantir a organização e a assistencia técnica das associações.

7. Criação de Fundo de Desenvolvimento Municipal e Cooperativa de Crédito
Os recursos são cada vez mais escassos, pelo que, os presidentes das câmaras e vereadores em vez de viajarem constantemente à capital do país, em busca de recursos necessários ao financiamento do desenvolvimento local e, voltar de mãos vazias ou com promessas que não serão cumpridas; os mesmos devem pensar mais na expansão económica e social local assente nos recursos que a autarquía dispõe ou pensar na captação de recursos externos.

Dentro dessa nova óptica de desenvolvimento devem ser criados fundos de desenvolvimento municipal com as mais diversas valências, sendo os destinados à educação e saúde os mais prementes. No entanto, outros fundos devem ser criados com o objectivo de estimular o desenvolvimento da habitação social, de apoio aos orfãos, incentivo ao empreendedorismo local etc.

Através da criação de fundos de desenvolvimento municipal podemos articular com outros agentes económicos que actuam no processo (bancos; agências de promoção do comércio; agências para o desenvolvimento empresarial; bolsa de valores; câmaras de comércio; fundo da competitividade; ONGs; parceiros externos; etc). Este fundo deve ter uma administração transparente e participativa. Para isso é importante a regulamentação do seu funcionamento através de normas e também pela criação de uma entidade municipal responsável pela gestão do fundo.

Além do fundo de desenvolvimento, outras estruturas de financiamento devem ser preconizadas, como por exemplo apoio à criação de cooperativa/banco de crédito, que pode aspirar à captação das poupanças e transferência das remessas dos nossos emigrantes até ao destino final, que é geralmente os familiares residentes nos povoados mais pobres.

8. Construção de Infra-Estruturas
A construção de infra-estruturas (requalificação de estradas, expansão da energia eléctrica, redes de telefone e internet, canalização de água, postos de saúde, espaços de lazer e cultura, escola técnica, serviços de acompanhamento a actividades pesqueira e agro-pastoríl, saneamento básico, programas de habitação social, etc.) são factores determinantes à viabilidade de um projecto de desenvolvimento e garantia de melhor qualidade de vida aos munícipes.

Estas obras e serviços devem obedecer a uma ordem de prioridade e serem realizadas de forma planificada, por forma e evitar tendências de assistencialismo e compra de consciência do eleitorado em especial o eleitorado pobre, alías os projectos municipais devem ser (re)pensados, revistos, discutidos e incluídos no plano de realização de cada mandato, seguindo a orientação apresentada à comunidade e as estratégias de desenvolvimento concebida a nível local.

Monday, June 8, 2009

FOGO: INFRAESTRUTURAS, EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO

Prevê-se que no dia 13 de Junho do corrente ano, S.E. o Primeiro Ministro de Cabo Verde, Senhor José Maria Neves, estará na Ilha do Fogo para o lançamento da primeira pedra do futuro anel rodoviário da ilha.

Será esse um dia qualquer ? Será o lançamento de mais uma outra pedra ? Ou será o acordar de uma ilha que, durante pelo menos três décadas permaneceu em fase latente de adormecimento ?

Relativamente à terceira pergunta – esclareço que me refiro a três décadas, pois, foram estas que testemunhei com os meus próprios olhos - embora durante esta última, tenho sido um observador atento, mas à distância.

É evidente que o binómio infraestrutura e educação representa o que Djarfogo mais necessita para entrar na caroça de desenvolvimento, há pelo menos três decadas. Investimentos regulares e adequados em infraestruturas propiciam crescimento económico e os direcionados à educação aumentam a base cultural e ampliam as possibilidades de competitividade do cidadão, acabando por induzir o desenvolvimento do local/região ou país.

Sem dados estatísticos palpáveis em mãos, e sem a necessidade premente de vasculhar os poucos inquéritos sobre o desenvolvimento económico-social da ilha, acredito entretanto, não correr sério risco de cometer qualquer pecado, se afirmar que o desenvolvimento da Ilha do Fogo, vem sendo sistemáticamente penalizada pelos sucessivos governos da república.

Neste pequeno texto, sem entrar em polémicas, debruço-me à tangente sobre os sectores de (1) transportes e (2) educação, usando como exemplo algumas experiências vivídas na deslocação São Filipe/Praia nos últimos três anos para demonstração de quão tamanha são as dificuldades dos foguenses:

1. Deficiente Sector dos Transportes
O reflexo disso é visível nas más condições das estradas, por onde passam os produtos provenientes do interior da ilha, destinada ao mercado municipal em São Filipe e, bem assim, às demais ilhas, entre as quais Santiago e Sal; nos gargalos do sistema portuário e na deficiente ligação aérea. Essa deficiente rede dos transportes leva a uma subida generalizada dos custos dos produtos, quando não impossibilitam a sua entrada atempada no mercado, devido à demora em chegar ao destino final, acabando por apodrecer pelo caminho, contribuindo para a não competitividade, causando transtornos ao produtor/comerciante e retracção dos poucos investimentos de gente humilde.

Sem muitos detalhes, pois existe um vastíssimo número de exemplos que poderia citar - deixo para os demais leitores e comentaristas que, certamente também tiveram experiências semelhantes. Mas antes, que não é o espiríto de bairrismo/localismo nem muito menos politiquíce que me leva a este desabafo.

(1) Em Janeiro de 2007, encontrava-me na Ilha do Fogo, depois de sucessivos cancelamentos no vôo São Filipe/Praia, acabei por desistir e peguei um barco, cujo a viagem demorou cerca de 6 horas, juntamente com animais, plantas e, no meio de crianças, jóvens, idosos – enfim gente de todos os cantos da ilha, num sobrecarregamento nunca d’antes visto – nem nos tempos do Navio Furna. Mas, o que me decepcionou não é o facto da viagem não ser cómoda – não estava à espera disso – mas sim, as estórias que ouvi de pessoas que tinham passado uma semana com sacos de batatas, entre outros produtos (maioritáriamente vindos dos Mosteiros/região norte da ilha) no porto de Vale dos Cavaleiros, à espera de uma oportunidade para trasportá-los até à capital do país, onde a procura é relativamente maior e pode-se arrecadar mais alguns tustões.

(2) Em Maio de 2008, lá estava eu, de novo, no aeroporto de São Filipe – a verdade seja dita, cheguei a pedir ao todo poderoso nosso Senhor para evitar que o sucedido do ano anterior se repetisse. Bem, não chegou a repetir-se mas passou por perto. Conforme me explicaram na agência de viagem, ainda na Praia, antes de deslocar ao Fogo, devia no dia do regresso, estar no aeroporto ás 9:25 a.m., atenção que tento cumprir sempre com a pontualidade – e, se durante largos anos frequentei o licéu na mesma cidade com início das aulas ás 7:40 a.m., – com uma pontualidade invejável, depois de largas horas a pés no circuíto São Filipe/Forno/São Filipe, não era esse o dia em que me iria perder o vôo por causa do atraso. Entretanto, chego na sala de embarque (diga-se de passagem, uma gare coberta com chapas de zinco (...sem mais detalhes...)) e a funcionária no balcão de atendimento me informou que, o vôo inicialmente marcado para ás 10:00 a.m., foi adiado para às 12:00 ... mais tarde, vi a mesma a identificar os passageiros; de início, essencialmente os turistas, para ir a um restaurante no centro da cidade para o almoço, pois o vôo tinha sido adiado novamente para às 2:30 p.m., vendo isso, lá fui eu indagar o que se passava e acabei por embrulhar no meio dos turistas e fui parar a um restaurante, ali perto da antiga cadeia cívil (bem ao lado de um já conhecido Restaurante Seafood – este eu já tinha conhecido dias atrás), em cujo o proprietário é um ex-emigrante, gente de trato fino, não só o foi para comigo, digo, extensivo a todos os presentes, em especial para com os turistas, não falantes do Crioulo/Português que, ali estavam desmotivados e incrédulos com tudo, inclusivé com as empregadas de mesa (as tais garçonetes como dizem os irmãos brazucas) que por terem sidos instruídas que os passageiros só tinham direito a uma bebida não alcoólica, concluiram que devia ser um “Suco +” ou “Jumex” – que por acaso, até foi ao encontro do paladar/gosto da maioria dos presentes, mas como se sabe, nem todos nós somos consumidores do açucar, pelo que, havia gente, que preferia outro tipo de bebida, menos açucarada – mas não tiveram a oportunidade de escolha ... bem chega destes detalhes!

Por volta das 3:30 p.m., voltamos ao aeroporto (umas 20 pessoas no mesmo hiace – cujo a lotação é estimada para 15 passageiros) com a informação de que, o vôo seria ás 4:30 p.m., que entretanto, não veio a acontecer – se a memória não me falha, só cheguei a Praia por volta das 6:30 p.m., num vôo em que o melhor que aconteceu foi um tour que os pilotos decidiram nos dar até bem próximo da cratera do vulcão – Ah nôs Vulcão – uma paisagem deslumbrante – Só Visto!

Bem a conversa foi mais extensa do que imaginava ... no entanto, o melhor, aliás, pior, dessa estória toda foi/vai para o “Gil de Djudju” ou “Gil de José di Putchin” – não interessa o apelido (que não sei), acredito que alguém deve conhecê-lo, na altura a residir na Ilha do Sal, antes em Cova Figueira, anteriormente, presumo que em Bombardeiro, portador de um cesto cheio de queijos, não faço ideia quantos eram, presumo que ascendiam a uma centena, que acabou por também perder o vôo Praia/Sal, pelo que, não faço ideia qual foi o estado final daqueles saborosos derivados do leite, e muito menos do prejuízo económico que a TACV lhe causou. Um queijo na Ilha do Fogo custa 120 ECV – na Ilha do Sal (ouvi dizer que), é vendido por 300 ECV nas unidades hoteleiras, daí que, nessa viagem ele deve ter perdido (espero que não) uns 30.000 ECV, o equivalente ao salário mensal de um barbeiro naquela ilha.

(3) Em Novembro do corrente ano, lá estava eu, uma vez mais no aeroporto de São Filipe, à espera do vôo – mesmo destino – desta vez a gare ganhou outra pinta – com tecto esverdeado, que me fez lembrar uma piada do pessoal lá em Roçadas – diziam que em tempos de seca e falta de pasto o burro come tudo, basta lhe adornar/arranjar uns óculos verdes – será que existe alguma semelhança com o tecto do aeroporto de São Filipe – aeroporto este que na altura tinha uma mini-estrada asfaltada no meio da pista – acrescido de um tapete rolante último grito, deixando transparecer a atenção que é dedicada à Ilha do Fogo.

Ora, mudando de assunto, neste dia, os atrasos não foram tantos, saímos do Fogo por volta das 4 p.m., num vôo que devia ter saido por volta das 10 a.m., em que tive a sorte de ver o Senhor Avelino Bonifácio, ex-Ministro da Economia, Crescimento e Competitividade, agora Coordenador da Plataforma das ONGs, observando in loco, os grandes ganhos que Djarfogo tem tido, em especial o cheiro nauseabundo e o calor proporcionado pelas novas infraestruturas aeroportuárias da ilha. Os prejuízos, estes ficaram reduzidos ao tom amarelado que ganharam dois litros de feijão congo, mas que ainda assim, serviram para um bom pitéu, já não me lembro se foi almoço ou jantar – tanto faz, fijon figuera (sima nu ta fla na Fogo) ê sabi!

No que se refere à rede de estradas, sabendo que, a construção do anel rodoviário e, bem assim, a asfaltagem da estrada Salto/Chã das Caldeiras, poderá ajudar a solucionar alguns dos problemas, mas longe de pôr cobro aos tantos que existem no sector dos transportes da ilha - pelo que, de momento no comments - aguardo pela inauguração!

2. Uma Nova Visão para o Sector de Educação Necessita-se
É preciso uma nova visão para o sector da educação, em que os alunos, além da parte currícular vigente, devem conhecer e compreender a realidade onde vivem e onde serão chamados a participar como cidadãos e como profissionais. O desenvolvimento necessita cada vez mais de pessoas informadas sobre a realidade onde vivem e trabalham. Pessoas desinformadas não participam, e sem participação não há desenvolvimento. O envolvimento construtivo do cidadão se dá no nível da sua própria aldeia/cidade/ilha; emfim, na sociedade ao seu redor, onde nasceu, cresceu, ao articular-se com pessoas que conhece directamente e instituições concretas que fazem parte do seu quotidiano.

Soube recentemente que na localidade de Patim, um grupo de jóvens, depois de analisar as características dos povoados ao redor, onde os pastores criam gado caprino, mas por falta de conhecimento não os abate em data oportuna e não retiram o máximo benefício do seu gado, organizaram-se, e com os meios de que dispunham fizeram parcerias entre familiares e amigos, criando uma pequena empresa de comercialização de carne caprino e suíno, olhando para o mercado das Ilhas de Santiago e Sal, com maiores potencialidades, pois são as que mais rápidamente tem se desenvolvido a nível nacional.

Esta visão de que podemos ser donos da nossa própria transformação económica e social, de que o desenvolvimento não se espera mas se faz, constitui uma das mudanças mais profundas que deve 'fazer escola' na Ilha do Fogo, pois tira-nos da atitude de espectadores críticos de um governo sempre insuficiente, ou do pessimismo passivo, devolvendo ao cidadão a compreensão de que pode tomar o seu destino, enquanto existe dinâmica social que facilite o processo, gerando sinergia entre os diversos sectores.

Mas do que vale estas ideias, se a carne que produzem em Patim acaba por estragar ali mesmo na ilha, pois, não existem apoios para a instalação de um serviço a frio e/ou facilidades de transporte para fazê-las chegar aos mercados em franco crescimento nas ilhas com maiores dinâmicas de desenvolvimento ?

Não seria essa uma oportunidade ímpar de se dar uma mãozinha a estes jóvens sonhadores ?

Seria demasiado pedir a criação de uma Escola de Negócios na Ilha do Fogo – instituição essa que prestaria assessoria/apoios pontuais àqueles que pensam enveredar pelo mundo dos negócios ?

Pois é, sonhos e tantas dicas que podia aqui deixar .... fico por aqui. Chega!

Mas, não sem antes de concluir, de forma simplificada que, embora haja ideias de empreendimentos entre os jóvens da ilha do Fogo; o clima de abandono, a falta de infraestruturas (incluindo facilidades de transporte – nos três domínios : terrestre, marítimo e aéreo) e, bem assim, carência de uma nova visão para o sector de educação, acrescido à inexistência de apoio ao empreendedorismo continuam a ser o calcanhar de aquiles – o factor de bloqueio à descolagem do Fogo, enquanto um dos pólos de desenvolvimento do arquipélago.

Ademais, essa falta de visão de longo prazo na implementação/busca de soluções estruturadas e consistentes que permitiriam a prosperidade da Ilha do Fogo também dificulta o desenvolvimento sustentado de Cabo Verde.

Observação : Espero que o dia 13/6 não seja um dia qualquer; que o lançamento da primeira pedra do anel rodoviário não venha a ser a de mais uma outra pedra; e que, acima de tudo, seja o reconhecimento deste governo que a Ilha do Fogo merece mais e melhor, a bem dos foguenses e deste nosso pequeno/grande Cabo Verde.

Introducing Cape Verde

Most people only know Cape Verde through the haunting mornas (mournful songs) of Cesária Évora. To visit her homeland – a series of unlikely volcanic islands some 500km off the coast of Senegal – is to understand the strange, bittersweet amalgam of West African rhythms and mournful Portuguese melodies that shape her music.

It’s not just open ocean that separates Cape Verde from the rest of West Africa. Cool currents, for example, keep temperatures moderate, and a stable political and economic system help support West Africa’s highest standard of living. The population, who represent varying degrees of African and Portuguese heritage, will seem exuberantly warm if you fly in straight from, say, Britain, but refreshingly low-key if you arrive from Lagos or Dakar.

Hot Top Picks For Cape Verde

1 Mt Fogo
Huff to the top of this stunning, cinder-clad mountain, the country’s only active volcano and, at 2829m, its highest peak.

2 Mardi Gras
Down quantities of grogue, the rumlike national drink, and dive into the colour and chaos in Mindelo.

3 Santo Antão
Hike over the pine-clad ridge of the island, then down into its spectacular canyons and verdant valleys.

4 Windsurfing
Head to the beaches of Boa Vista, and fill your sail with the same transatlantic winds that pushed Columbus to the New World.

5 Traditional music
Watch musicians wave loved ones goodbye with a morna or welcome them back with a coladeira.

6 Cidade Velha
Becomes Cape Verde's first World Heritage site in June 2009.
The town of Ribeira Grande de Santiago, renamed Cidade Velha (Old Town) in the late 18th century, was the first European colonial outpost in the tropics.
Located in the south of the island of Santiago, the town features some of the original street layout impressive remains including two churches, a royal fortress and Pillory square with its ornate 16th century marble pillar.