Em ano de crise económica internacional e no concelho mais pobre do arquipélago, Santa Catarina/Fogo, temos muita gente que não consegue satisfazer as suas necessidades básicas, em particular, ter acesso aos «três por dia», na gíria dos pobres – café, almoço e janta.
É certo que a actual conjuntura agrava o estado das coisas, mas quero crer que com trabalho e vontade política é possível conter este mal.
Dentro de mim, existe este bichinho, que não raras vezes me traz à memória imagens da pobreza da ilha do Fogo. Fico por vezes estupefacto e questionando porque será que os autarquías gastam preciosas verbas em festivais e actividades supérfluas e não une esforços para desenvolver a economia local, apoiar os produtores, a pequena e média indústria e na construção de conhecimento sobre o potencial económico, social, cultural e ambiental da ilha ?!?!?
A erradicação da pobreza pressupõe inverter a dinâmica que faz com que ela se reproduza indefinidamente. Para que isso seja possível, torna-se necessário promover mudanças estruturais no modo como é conduzida a vida económica. Exige, também, eleger a segurança alimentar e nutricional como estratégia orientadora para o desenvolvimento do arquipélago no seu todo, mas dos municípios do Fogo em particular.
Sabemos todos, que apesar de se propagar que o país atingiu o patamar de rendimento médio, ainda cerca de 30% da população vive abaixo do limiar da pobreza, além de que, em alguns municípios e grupos sociais a insegurança alimentar é muito grave, em especial nas ditas periferias.
Urge criar nos 3 municípios da ilha do Fogo [e porque não nos demais ?], comitês gestores voltados para a promoção do desenvolvimento local, constituidos por representantes do poder público e da sociedade cívil organizada. Esses s(er)ão espaços privilegiados para o conjunto dos actores sociais – empresas, associações comunitárias, instituições religiosas, autarquías locais - identificar as carências da ilha e articular com o governo central uma política de segurança alimentar e nutricional que integre as acções concertadas no quadro da luta contra a pobreza e desenvolvimento local harmonioso/equilibrado.
Deve ser dispensado maior atenção às potencialidades da ilha do Fogo, além da necessidade de uma intensa diversidade de temáticas para que se promova o desenvolvimento e não apenas politiquices. Este conjunto de aspectos constituem as alternativas que visam contribuir para o desenvolvimento social, combate à pobreza, proporcionando assim, melhoria nas condições de vida das populações.
As 3 autarquías da ilha devem trabalhar de forma complementar e articulada, com base em planos de acção socializados entre sí, e que, permite ter uma visão abrangente e consensual da ilha como um todo, focalizando na identificação de projectos inovadores de fomento ao emprego e renda, desenvolvimento e combate à pobreza. Não as faço aqui – não é a minha função – existe muito boa gente paga com o imposto dos contribuintes que deve fazer este trabalho – mas, queria reiterar que estou convicto que é possível identificar uma série de áreas e actividades com grande potencial na ilha do vulcão, e que deve servir de orientação/potencialização de iniciativas de desenvolvimento com resultados palpáveis.
As autarquías devem funcionar como uma entidade de promoção do desenvolvimento, através da participação tanto dos agentes públicos como cívis. No entanto, é também necessário que o governo central urgentemente proporcione à ilha, condições infraestruturais e políticas públicas justas e inclusivas dentro do actual contexto nacional e global, onde infelizmente tem reinado a desigualdade, o desequilibrio e evidentemente a pobreza!
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