Saturday, May 9, 2009

Fogo : Segurança Alimentar & Desenvolvimento Local

Em ano de crise económica internacional e no concelho mais pobre do arquipélago, Santa Catarina/Fogo, temos muita gente que não consegue satisfazer as suas necessidades básicas, em particular, ter acesso aos «três por dia», na gíria dos pobres – café, almoço e janta.

É certo que a actual conjuntura agrava o estado das coisas, mas quero crer que com trabalho e vontade política é possível conter este mal.

Dentro de mim, existe este bichinho, que não raras vezes me traz à memória imagens da pobreza da ilha do Fogo. Fico por vezes estupefacto e questionando porque será que os autarquías gastam preciosas verbas em festivais e actividades supérfluas e não une esforços para desenvolver a economia local, apoiar os produtores, a pequena e média indústria e na construção de conhecimento sobre o potencial económico, social, cultural e ambiental da ilha ?!?!?

A erradicação da pobreza pressupõe inverter a dinâmica que faz com que ela se reproduza indefinidamente. Para que isso seja possível, torna-se necessário promover mudanças estruturais no modo como é conduzida a vida económica. Exige, também, eleger a segurança alimentar e nutricional como estratégia orientadora para o desenvolvimento do arquipélago no seu todo, mas dos municípios do Fogo em particular.

Sabemos todos, que apesar de se propagar que o país atingiu o patamar de rendimento médio, ainda cerca de 30% da população vive abaixo do limiar da pobreza, além de que, em alguns municípios e grupos sociais a insegurança alimentar é muito grave, em especial nas ditas periferias.

Urge criar nos 3 municípios da ilha do Fogo [e porque não nos demais ?], comitês gestores voltados para a promoção do desenvolvimento local, constituidos por representantes do poder público e da sociedade cívil organizada. Esses s(er)ão espaços privilegiados para o conjunto dos actores sociais – empresas, associações comunitárias, instituições religiosas, autarquías locais - identificar as carências da ilha e articular com o governo central uma política de segurança alimentar e nutricional que integre as acções concertadas no quadro da luta contra a pobreza e desenvolvimento local harmonioso/equilibrado.

Deve ser dispensado maior atenção às potencialidades da ilha do Fogo, além da necessidade de uma intensa diversidade de temáticas para que se promova o desenvolvimento e não apenas politiquices. Este conjunto de aspectos constituem as alternativas que visam contribuir para o desenvolvimento social, combate à pobreza, proporcionando assim, melhoria nas condições de vida das populações.

As 3 autarquías da ilha devem trabalhar de forma complementar e articulada, com base em planos de acção socializados entre sí, e que, permite ter uma visão abrangente e consensual da ilha como um todo, focalizando na identificação de projectos inovadores de fomento ao emprego e renda, desenvolvimento e combate à pobreza. Não as faço aqui – não é a minha função – existe muito boa gente paga com o imposto dos contribuintes que deve fazer este trabalho – mas, queria reiterar que estou convicto que é possível identificar uma série de áreas e actividades com grande potencial na ilha do vulcão, e que deve servir de orientação/potencialização de iniciativas de desenvolvimento com resultados palpáveis.

As autarquías devem funcionar como uma entidade de promoção do desenvolvimento, através da participação tanto dos agentes públicos como cívis. No entanto, é também necessário que o governo central urgentemente proporcione à ilha, condições infraestruturais e políticas públicas justas e inclusivas dentro do actual contexto nacional e global, onde infelizmente tem reinado a desigualdade, o desequilibrio e evidentemente a pobreza!

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Introducing Cape Verde

Most people only know Cape Verde through the haunting mornas (mournful songs) of Cesária Évora. To visit her homeland – a series of unlikely volcanic islands some 500km off the coast of Senegal – is to understand the strange, bittersweet amalgam of West African rhythms and mournful Portuguese melodies that shape her music.

It’s not just open ocean that separates Cape Verde from the rest of West Africa. Cool currents, for example, keep temperatures moderate, and a stable political and economic system help support West Africa’s highest standard of living. The population, who represent varying degrees of African and Portuguese heritage, will seem exuberantly warm if you fly in straight from, say, Britain, but refreshingly low-key if you arrive from Lagos or Dakar.

Hot Top Picks For Cape Verde

1 Mt Fogo
Huff to the top of this stunning, cinder-clad mountain, the country’s only active volcano and, at 2829m, its highest peak.

2 Mardi Gras
Down quantities of grogue, the rumlike national drink, and dive into the colour and chaos in Mindelo.

3 Santo Antão
Hike over the pine-clad ridge of the island, then down into its spectacular canyons and verdant valleys.

4 Windsurfing
Head to the beaches of Boa Vista, and fill your sail with the same transatlantic winds that pushed Columbus to the New World.

5 Traditional music
Watch musicians wave loved ones goodbye with a morna or welcome them back with a coladeira.

6 Cidade Velha
Becomes Cape Verde's first World Heritage site in June 2009.
The town of Ribeira Grande de Santiago, renamed Cidade Velha (Old Town) in the late 18th century, was the first European colonial outpost in the tropics.
Located in the south of the island of Santiago, the town features some of the original street layout impressive remains including two churches, a royal fortress and Pillory square with its ornate 16th century marble pillar.